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DESERT POINT, fechando a temporada


  Depois de G-Land  eu estava pronto pra ir pro Brasa. Estava psicologicamente preparado pra não fazer mais nenhuma trip na Indo na temporada 2006 e já começava a me visualizar no Sul numa churrascaria quando apareceu o Batatinha no meu quarto com o Gustavo Deutrisch. Eles necessitavam que eu conseguisse um bom carro pra eles irem pra Desert Point tentar a sorte com um swell médio que estava a caminho e chegaria no dia seguinte;

  Não precisou muita pilha deles e cerca de 15 minutos mais tarde estávamos carregando uma caminhonete irada toda novinha que consegui por uma bagatela com um amigo Balinês. No caminho da balsa fizemos duas paradas estratégicas num restaura irado que eu conheço e todo mundo se esbaldou comendo "Goreng".

  Ficamos hospedados no meu amigo Suleman por 3 dias e a rotina era cair de manhã muito cedo antes do sol nascer ou bem no finalzinho da tarde na última hora de luz; O resto do tempo era um vento ladal animal que varria tudo.

  No maior dia do swell não teve trégua e o ladal castigou com força. Nos dias seguintes o mar baixou um pouco e o tempo foi um dos mais loucos que eu já vi na vida. No período de 1 hora tivemos dia ensolarado e vento Sul varrendo que depois virou pra Norte mais forte ainda e o tempo começou a nublar e logo em seguida começou a chover pancada d'água que durou 15 minutos e parou entrando um vento terral reto e fortíssimo. Nessa última "hora mágica" as séries demoravam um pouco mas quem tava na água se deu muito bem. Os destaques ficaram por conta do Mr. Desert-Paul, o local Hugo, Beto, Caca, Marlon, Batatinha, Gustavo Deustrisch e Gabriel entre outros que brincavam de passear no expresso cilíndrico de Deserts. O pico tava dominado por brasileiros e haviam muitos poucos surfistas de outras nacionalidades.

  Pude rever uma galera de amigos e a vibe foi 10. Apesar de não ter sido o clássico, a vibe da barca pra mim foi o mais importante e ficou marcada na memória. Era pegação de pé e risada o tempo inteiro e o "Little Stewart" (Gustavo Deutrisch) era agora oficialmente o mais novo filho do Batatinha e o Gabriel passou a ser o "like a virgin". Esses dois na água era bonito de se ver. Sempre se puxando e na pilha de cair não importava a condição. E o nível de surf lá em cima. Vi os dois pegarem tubos muito bons nessa trip!!!   

  Voltei pra Bali com o tempo contado e já na regressiva. A última barca da temporada tinha sido realizada. Outra vez entre amigos de fé e no estilo "Patronagem" da forte. Agora o lema era: "Não basta ter o dom, tem que ser o Dom" brincadeira que a galera mandava cada vez que eu tirava umas cartinhas da manga e faciltava a nossa vida. Foi a caranga, o restaura, os canas da balsa e por aí vai.

  Chegando a Bali eu e o Batatinha tínhamos uma funçãozinha pela frente. Fazer a mão da prataria, escolher, barganhar, comprar, empacotar e mandar. Os 3 próximos dias foram dedicados exclusivamente aos negócios e resolvi que antes de ir embora deveria fazer uma cerimônia de agradecimento pelas coisas boas que tinha vivido em mais uma temporada de altas ondas na Indonésia. Chegava a hora de ir embora.

Rodrigo "Digone"

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