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CERIMÔNIA DE DESPEDIDA,
mais uma temporada chega ao fim.
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Chegamos de Deserts em Bali com o tempo contado. Eu e o Batatinha
tínhamos muito o que fazer e os 3 dias seguintes foram gastos fazendo a
função dos negócios. Quando acabamos o último corre nas compras e no correio
e voltamos pro Tete Bali inn em Uluwatu faltava apenas um dia para meu
embarque de volta pro Brasa. Foi então que caiu a ficha. Mais uma temporada na
Indonésia se acabava, mas dessa vez completamente diferente das vezes
passadas; A temporada começou um tanto complicada para mim.
Depois de morar
por 5 anos numa pousada que gerenciei em Padang-padang onde criei um nome
que virou tradição entre os brasileiros nos anos anteriores, esse ano logo
que cheguei do Brasil no começo da temporada quando Bali ainda estava vazia
me disseram que a pousada estava lotada e depois que eu fui procurar um
lugar pra ficar em outra pousada da vizinhança onde sempre ficavam os
brasileiros e o preço que me deram foi 4 vezes mais alto que todo mundo
estava pagando naquele momento ficou óbvio que eles haviam armado um plano
com outras pousadas da região para fazer com que eu não ficasse naquela área
pois já fazia algum tempo que queriam tomar meus negócios de organizar
viagens de surf e outras necessidades dos turistas principalmente
brasileiros que agora sempre ficavam hospedados na região.
Saí de lá sem saber pra onde ir e o destino me levou de volta para
Uluwatu que foi o primerio lugar onde fiquei e me senti em casa na minha
primeira vinda a Bali em 95. Naquele ano, sem conhecer ninguém e sem nada
para oferecer fui tratado como filho e irmão por muitos locais de Uluwatu e
fui convidado para morar em suas casas muito antes de existirem pousadas ou
de eu ser um agente de viagens com muitos clientes.
Acabei morando por certo
tempo na casa da Ibu Mitri que praticamente me adotou por um período que eu
estava num perrengue total.
Foi assim que quando fui cordialmente colocado pra escanteio em
Padang-padang o destino me fez cruzar com meu amigo Tete na Estrada para
Uluwatu e logo que ele ficou sabendo do acontecido me convidou para morar
com ele em sua pousada. Ha anos o pessoal de Uluwatu me perguntava porque
não voltava para lá e finalmente a hora havia chegado.
Fui mais uma vez tratado com muita generosidade que não tenho
palavras para agradecer.
Expliquei tudo ao
Tete e pedi a ele para irmos juntos numa noite especial do calendário hindu
ao templo de Uluwatu fazer uma oração e oferendas para que pudesse recomeçar
meu trabalho outra vez do zero e para que meu caminho estivesse aberto para
poder exercer meu trabalho sem obstáculos.
Mesmo após ter feito a cerimônia
os primeiros meses foram um pouco duros e o dinheiro não era suficiente nem
para comida enquanto meu trabalho de promoção dos últimos 5 anos agora
rendia frutos que eram colhidos por outros.
Sem nunca desistir e sempre com fé no meu trabalho as coisas
começaram a melhorar e finalmente do meio para o final da temporada a
pousada do Tete e as vizinhas na área de Uluwatu estavam prósperas e sempre
cheias de brasileiros e eu cozinhava frequentemente comida brasileira além
de organizar churrascos e outros eventos onde a galera toda da área
confraternizava depois do surf. O mesmo trabalho que havia feito em Padang
estava agora fazendo em Uluwatu e o resultado não poderia ser outro, muitos
amigos que antes ficavam por outras bandas agora estavam vindo ficar comigo
em Ulus.
O sufoco havia passado. Nesse último dia em Bali tudo isso passou
por minha cabeça e agradeci a Deus em silêncio por me dar força e estar
sempre ao meu lado em mais uma dura batalha. Foi quando cheguei a conclusão
de que não deveria simplesmente agradecer em silêncio mas sim da maneira
tradicional de Bali, com cerimônia e comida tradicional convidando aos meus
amigos estrangeiros e locais.
Falei com o Tete e ele me disse que a data daquela noite que
antecedia a minha partida era propícia segundo o calendário hindu para se
organizar a cerimônia. Estava programado. retribuíria pelo menos com um
pouco de comida e oferendas aos deuses e ao povo local por toda a energia
positiva que tinha me alimentado nesses meses.
Então dei dinheiro ao Tete para organizar um "Babi Guling", porco
assado da maneira tradicional balinesa acompanhado de salada, arroz e é
claro algumas caixas de Bintang e refrigerantes que comprei com todo o
prazer.
Convidei alguns amigos brasileiros, argentinos, americanos,
australianos e franceses além dos locais de Uluwatu e após um belo jantar
tivemos todos uma cerimônia de despedida e agradecimento por todas as coisas
boas que havíamos vivido em mais uma temporada em Bali e na Indonésia.
Fazia tempo que não me sentia tão bem.
Enquanto eu ia dormir pensando na minha partida alguns saíam da
cerimônia direto para a estrada para Deserts em mais uma típica noite de
Bali.
Gostaria de agradecer a todos amigos, clientes e associados por sua
preferência e força nos momentos difíceis. Foi um ano de dura batalha que
chegou ao fim com muito sucesso e positividade.
Ficou o pensamento: "Quanto mais dura a batalha mais saborosa a
vitória!!!"
Deixo também aqui registrado meu eterno agradecimento para toda a
galera de Uluwatu por sua amizade e generosidade ao longo desses anos
especialmente aos meus amigos locais que compareceram na ocasião como Tosca,
Made Lana, Doggy, Wayan, a molecada da nova geração de Ulu's e o pessoal dos
warungs além dos que não tive tempo de convidar.
Nesse momento estou no Brasil e a saudade já é grande. Até 2007!!!
Sampai Jumpah lagi saudara dari Uluwatu, MATUR SUKSMA!!!
Rodrigo "Digone"
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