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Da Point – “One last dance” - o adeus com todas as honras!!


Final de temporada na Indonésia é sempre uma coisa imprevisível... Estávamos surfando Uluwatu perfeito na casa dos 3 a 4 pés ha cerca de quase uma semana onde todas as seções da onda estavam funcionando todos os dias de acordo com a maré ideal de cada uma quase que na sua perfeição máxima...nesses dias tivemos algumas visitas ilustres como as de Rob Machado e Christian Fletcher que vinham diariamente a Ulu’s dividir o pico com o aussie Eddie Rasta aliás “o Animal” ou “Predador”, o Kiwi Nick, seu amigo Brad, Cacho, Eu e os locais Lana, Pitur, etc...

Foi uma semana de muitos tubos com condições impecáveis no Temples, The Peak e Race Tracks todos os dias...e o crowd pra lá de ameno...tranqüilidade total...e como as surpresas aqui na Indonésia não são poucas, a internet começou a apontar um swell de média intensidade para dentro de poucos dias...começavam os planejamentos...G-Land?? Deserts?? Ou provavelmente Ulus de gala em todas as bancadas, Bingin perfeito e Padang pequeno?? As mesmas dúvidas de sempre aqui na Indo quando tem swell a vista...Havíamos acabado de passar pela lua cheia e as marés estavam praticamente perfeitas para a maioria dos picos...sem mentira, no dia anterior ao swell fui pelo menos umas 4 vezes na internet do Jiwa Juice em Bingin pra ficar que nem um maluco analisando os sites de previsão e fazendo contas e anotações...Eu havia voltado de G-Land não fazia muito e queria ir pra Desert ou ficar por Bali...ou quem sabe ir pra Scars?! Meus possíveis companheiros para trip Eddie e Nick estavam mais inclinados a ir pra G-Land atrás da perfeição do Speedies e acabaram por rumar para a selva para fazer um “jungle camping” levando junto o californiano Christian Fletcher.

Eu já havia decidido ficar em Bali e fui ver o último pôr-do-sol “vermelho alaranjado” no mar em Ulus totalmente flat algumas horas antes do swell bater...a vontade de pegar a estrada era grande mas o risco de trocar o certo pelo duvidoso era grande...olhei mais uma vez as anotações (provavelmente a centésima) e decidi impulsivamente pegar a estrada e não olhar para trás já que os graus de angulação do swell eram promissores e havia uma chance de o swell encostar também no Point.

Antes de pegar a estrada fui jantar com meu amigo peruano Jorge, dono e capitão do barco Irish Mist nas Mentawais e sua namorada brasileira Rebeca que incrédulos assistiram minha partida do restaurante Thailandês em Bingin...

Logo em seguida começou a “solo mission”... Para algumas pessoas (ou quem sabe a maioria) viajar sozinho é algo monótono e solitário; para mim é alucinante...o sentimento de não depender de ninguém além dos muitos momentos solitários para refletir sobre a vida para mim não tem preço!!

E assim toquei em direção a Padang Bai para pegar a balsa da meia noite...as 05:30 chegava a Lembar e por volta das 06:30 já estava na beira da praia no Point olhando as linhas de 4 pés perfeitas que se enroscavam na bancada com apenas 3 pessoas na água...GOLAÇO!!

Enquanto os curitibanos Gutinho da Rasta Mind e Marlon e o carioca Kadu se esbaldavam chegou mais um carro de 6 brasileiros (4 caras e duas namoradas) que haviam chegado na madrugada e dormido no Sulaeman além de Rodrigo “Canabrava” aliás o “Contador de estórias” ou “o Garganta” e um amigo que haviam chegado de moto e estavam ficando na praia e mais dois australianos em moto que estavam no mesmo ferry que eu e chegaram no meio da manhã depois de se instalarem em uma pousada no caminho...Fui pra água com a sensação que em breve carros, motos e barcos de boat trips começariam a aparecer mas as horas passavam e ninguém mais aparecia...era bom demais pra ser verdade...Deserts perfeito com menos de 10 na água...sinceramente fazia mais de 10 anos que não pegava o “Point” assim...todos na água riam a toa e número de ondas da série eram quase sempre maior que o número de surfistas posicionados no pico decididos a botar pra baixo...depois de quase 4 horas de surf saí da água “cabeção” para comer e dar uma descansada...estava deitado na rede escutando meu ipod dando uma cochilada e acordava sempre que entrava uma série com o barulho cada vez mais forte das ondas que entravam cada vez maiores anunciando um final de tarde épico...Em um determinado momento o “Contador” entrou na água mesmo estando no auge da maré cheia e fez bonito...pegou várias ondas de 5 pés sólidos, entubou, deu layback e levantou a galera...apesar da maré cheia e vento lateral, as ondas estavam um pouco mais balançadas mas abriam alguns tubos pesados e proporcionavam seções de manobras fortes...era difícil esperar o momento ideal da maré...me segurei mais algumas horas e fui pra água novamente com a maré ainda longe de ideal...na água um grupo peculiar de 6 surfistas da Suíça que haviam chegado de barco chamava a atenção...na verdade se tratava de um grupo de amigos snowboarders e skatistas que surfa apenas 15 dias por ano e caíram de pára-quedas no point...dropavam todas as ondas reto e não tinham a mínima noção dos perigos que os cercavam...avisei a eles sobre a maré que agora secava rápido e sobre as cabeças de coral e em menos de meia hora eles tinham desaparecido...e para minha sorte fui contemplado com a onda da trip segundo os relatos da galera...uma esquerda de 6 pés sólidos onde achei um bom canudo, atrasei a cavada ao máximo e deixei a placa cair lá na frente entubando até passar a frente dos warungs onde saí pelo ladrão antes da bomba esmagar a porta de saída na parte mais rasa da bancada o que poderia ter conseqüências graves...meu xará Rodrigo “Canabrava” registrou vários momentos da onda com a minha máquina que mesmo sem estar com o zoom ligado dá pra se ter uma boa noção do tamanho da onda e da extensão percorrida...e o dia foi passando, a maré baixando, as ondas diminuindo um pouco e os tubos abrindo mais...novamente entraram na água Gutinho, Marlon e Kadu e todos fizeram a cabeça...em especial Gutinho que segundo Marlon que viu uma de suas ondas de perto disse que ele pegou um tubo simplesmente animal...e o final de tarde que prometia ser épico acabou sendo deprimente...as séries pararam de entrar e ficamos na boiação por cerca de 1 hora ou mais...

A noite no Sulaeman comemoramos o aniversário de um dos brasileiros hospedados lá e eu contei a todos o privilégio que estávamos tendo te pegar Deserts daquele jeito com aquele número de pessoas...utópico nos dias de hoje...

O dia seguinte apresentou algumas poucas séries de manhã bem cedo para os madrugadores e em seguida “o Point” mais uma vez fechou para balanço...

Voltei para Bali com aquela sensação de haver sido privilegiado com algo realmente especial ou como dizia meu amigo Nick antes do swell encostar “One last dance”.

Agora é esperar para ver se essa foi realmente a última dança ou se a imprevisível Indonésia ainda tem mais alguma carta na manga para nós neste final de temporada...quem viver verá...

ALOHA!!

Rodrigo “Digone”
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