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RELATOS |
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Indonésia Maio de 2008
Textos
e fotos - Alê Villas Boas e Marina Bucoff
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Para
comemorar as férias, nada como partir do Brasil no
dia 1° de Maio, feriado do dia do TRABALHO. Após
a exaustiva viagem aérea de alguns dias, via Frankfurt,
Qatar, Singapura e finalmente Denpasar na Ilha de Bali, Indonésia.
Fomos excelentemente bem recepcionados no Puri Uluwatu com
churrasco, caipirinha e uma digna Vibe Brasileira, protagonizada
nada mais nada menos do que o Stevie (Pilotando a churras),
Nyoman (ciceroneando) e o Ketute Ronald na manufatura das
caipirinhas. Mais que um welcome drink uma welcome party!
O Surf em Uluwatu nos dois primeiros dias esteve pequeno,
mas constante e regular nas marés certas. No terceiro
dia, seguindo à risca a previsão o swell entrou
com força e uma formação não tão
regular, mas proporcionando momentos excelentes, com direito
a fotos dos “pros” no TEMPLES entubando em pé
(mão no teto), colegas Brasileiros varridos para Padang,
outros perdendo a entrada da caverna e tendo que proceder
novamente a entrada, dando a volta toda de novo até
o pico, para nova tentativa. Salva-vidas em alerta, indicavam
a melhor alternativa, voltar e tentar de novo ou Padang como
alternativa (1,5 km dali). Antes de partir para as Mentawais,
aproveitamos para vários roteiros culturais, como visita
a Templos, compras e tour gastronômico com direito a
lagostas num excelente restaurante em Jimbaram, seguindo as
dicas do nosso veterano amigo e vizinho do Félix em
Ubatuba, o Josil Mandacaru.
Completa uma semana em Bali, era hora de partir para Mentawaii,
nosso real objetivo. O roteiro é partir de Denpasar
via aero para a cidade de Padang, com conexão em Jacarta.
Nesta vacilamos e esquecemos nosso tripé a bordo do
avião que graças ao empenho da Cia aérea
fora recuperado posteriormente.
Chegando em Padang fomos recepcionados pela equipe de terra
do Macaronis Resort para nos levar de carro até o porto
da cidade de onde parte o Ferry Ambu-Ambu. Estava previsto
passar a noite com duração de 12 horas, mas
um vento de proa atrasou em duas horas nossa chegada. O Clima
a bordo é um horror para parâmetros de quem faz
uma viagem em casal, que era nosso caso. Mas a Marina segurou
a onda legal e compreendeu que fazia parte do passaporte para
o paraíso.
O Final de tarde que assistimos já dava sinais que
o que veríamos valeria a pena mais este esforço.
Juntaram-se a nós, Sérgio (Brasileiro de Floripa),
Mark (California), Alex (Inglaterra), o gerente do Resort
o Kent (Tasmânia) e o Dono o Mark (Tasmânia).
Um turma que já mostrou muito entrosamento já
logo no começo.
A parada final do ferry é a vila de Sikakap, abalada
pelo último terremoto de Novembro do ano passado. Era
possível ver os estragos nas construções,
resultado dos tremores. Uma água cristalina, criançada
nos olhando com curiosidade, simpatia local.
Embarcamos numa longa canoa feita de um grande só tronco
de árvore, com mais toda a bagagem, combustíveis,
alimentos, pranchas, tripulação e muitas bananas.
Detalhe, a monomotor (40hp), para rodar duas horas e meia
em oceano aberto, uma aula de insegurança. Mas a VIBE
era superior a tudo...
Exaustos de dois dias de viagem, o sol rachava o coco e a
canoa lutava contra as ondas numa das regiões mais
inóspitas do planeta, no norte de Sumatra. Em um dado
momento, vimos a situação sair fora do controle
do marinheiro e começamos a rezar, porque a canoa surfava
as ondulações de forma não ter controle
lateral, por duas vezes demos um slide com direito a uma enterrada
de borda, um quase pânico. Olho para a Má é
vi que ela estava chorando. Ali senti que podíamos
estar indo além dos nossos limites. Rezamos todos em
silêncio, ajudávamos com o corpo equilibrar a
canoa, trocávamos olhares e risadas frias de nervosismo,
torcendo por águas abrigadas para nossa pobre canoa.
Ao mesmo tempo em que admirávamos a ondulação
e imaginávamos como estariam as ondas em Macas. Duas
horas depois, um reflexo de vidro a muitos kilometros, eram
os barcos posicionados em frente a onda de Macas, ótimo
sinal, pois o Resort é ali.... Ufa....O visual durante
o caminho inteiro é paradisíaco, estávamos
chocado entre medo e deslumbramento, mas ali estava a maravilhosa
entrada do canal do resort e o esplendoroso portal de coqueiros,
aquele visual recompensava tudo, uma sensação
de alívio, realização e sentimento de
estar realizando um grande sonho, e o melhor, sonho a dois
dividido tem uma grandeza maior. Ali estávamos no resort
de Macaronis, um belo welcome drink com cocos decorados e
geladíssimos o staff todo a postos distribuindo sorrisos.
A estrutura é impressionante, a decoração
especial com raízes locais e a natureza do lugar reforçava
a teoria de que o paraíso é ali.
Bungalows suspensos na lagoa de águas cristalinas,
com peixes de todos os tipos passando por baixo, ar condicionado
(dois), ventilador, banheira, internet wireless.... Surreal!
Na varanda já montei as quilhas e queria ir para o
que interessava, as ondas. Swell muito bom, vento calmo e
favorável a um espetáculo de uma onda que é
ícone no cenário da comunidade do surf mundial.
O tamanho variou de 4 a 6 pés nos três primeiros
dias e caiu para 3 a 5 nos demais dias. Precisamos ter paciência
um pouco, porque uns barcos com frequência chegavam
e partiam com seus clientes de todo o lugar do Planeta.
Nessas passaram 5, 6 dias até que o Mark deu a útima
notícia que iria disponibilizar o Laut India para nós
regressarmos para Padang, via uma boat trip de gala, a procura
de picos melhores. Arrumamos as malas geral e partimos. Haviam
mais tripulantes do que “Guests”, a galera amarradona
durante a partida do barco na madrugada, tudo escuro ao som
do trabalho árduo da tripulação porque
o barco é grande! Só a manobra de recolhimento
de Âncora é um espetáculo a parte. Primeira
parada: Bat’s Cave.
Que lugar! Sabe aquela ilha que vc desenha no caderno paradisíaca
com alguns poucos coqueiros, cercada de areias branquíssimas,
águas cristalinas ao redor e uma direita que parece
não ter fim? Verdade, este lugar existe e se chama
Bat’s Cave. A direita rolou muito bem na troca da maré
logo quando chegamos, cerca de 4 a 6 pés bem sólidos,
a onda parecia não acabar arrodeando a pequena e mágica
ilha. Depois o mar logo baixou e as ondas acabaram. Conosco
um grupo de bons surfistas das África do Sul compararam
o pico a J-bay com água quente.
Recolhemos âncora e rumamos para Lances. Deu uma útima
sessão de surf os dois dias que permanecemos na região.
Lances left quebrou bem servido no primeiro dia e depois declinou
também durante o dia. De lá partimos para a
melhor das experiências que tive durante toda a trip,
Holowtrees ou Ht´s como referência da galera.
Sinceramente ao chegar, checamos as ondas enquanto o barca
atracava e acabei subestimando o tamanho do mar, acabei escolhendo
uma prancha pequena para aquela condição. A
Marina estava no ding na hora que fomos checar de frente e
de perto, na hora ela queria que eu fosse trocar de prancha
porque a chapa tava quente.....As baforadas emitiam sons estremessedores
naquela direita insanamente perfeita. Que onda, que visão,
que pintura que sentido percebi na minha Vida por estar ali
vivo, com a prancha debaixo do braço pronto para cair
em uma cena que eu tanto havia sonhado a minha vida toda.
Com tranquilidade na série as ondas atingiam 7 a 8
pés, rodando tudo, pranchas quebrando, tubos insanos
tirados por um garoto local e em especial um tubo muito longo
de um Australiano que já se encontrava largado ali
por mais de 30 dias.
A Marina fez os melhores clicks da viagem, e regada a Bintangs
matava a sede do sol escaldante e da intenprérie a
bordo do Ding. Eu olhava a cara dela a cada onda que eu saía
do canal e via a minha felicidade no rosto dela, porque ela
me assistia com uma expressão de tanta felicidade que
eu me via no rosto dela e compreendia que o amor dela por
mim, a fazia compreender que eu vivia o dia mais feliz da
minha vida. Uma grande mistura de sentimentos, medo, alegria,
aprenizado, tensão, amor, realização....tudo
junto ao sabor daquele lugar Mágico. Não quisemos
mais ir embora e por lá ficamos mais dois dias, pegando
altas ondas e curtindo a longínqua terra de Paz e Natureza.
A Vida a bordo era a melhor possível a tripulação
era formada por cada figurinhas incríveis, um mais
cativante que o outro dentro de sua própria simplicidade.
Dentro deste clima acabei por esquecer que era o último
dia nas Mentawai, quando eu fui surpreendido pelo nosso Ding
acenando do canal que era hora de partir. Foi como um fio
desencapado de 220V encostando nas minhas costelas.....uma
dor de partir.
Chegamos em Padang de volta e rumamos de volta a Bali. Voltamos
para O Puri Uluwatu e desfrutamos de mais uma semana em Bali,
surfando, passeando como nosso amigo irmão Ronald Ketut,
e porque não fazer as tão sonhadas compras em
Bali.
Tudo isso foi possível ser experenciado por meio das
administrações logísticas do Rodrigo
“Digone” que acelerou, agilizou, barganhou, esclareceu
todos os caminhos para qualquer necessidade que nós,
marinheiros de primeira viagem poderíamos precisar.
Na verdade procuramos um agente de viagem experiente por meio
de recomendações de conhecidos e da internet,
mas acabamos encontrando um amigo! Um Monstro de camaradagem
e conhecimento na região. Digone, que o Universo possa
te retribuir toda a sua atenção em forma de
Luz e bençãos na tua Vida.
Obrigado Cara, da Marina e do Alê.
DIGONE: Alê e Marina, é graças
a pessoas como vcs que o esforço de organizar as trips
com tudo perfeito nos mínimos detalhes muitas vezes
se torna um prazer e que a Bali Surf Connection continua na
luta. Uma das coisas mais gratificantes de organizar viagens
de surf é conhecer pessoas legais que tem algo a nos
acrescentar. Foi um prazer enorme conhecer vcs, sempre que
precisarem estarei a disposição, grande abraço,
muitas felicidades e luz em seu caminho. Aloha!!
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